Diário de um jardineiro



Por Maria Aparecida Mello


Perdoem-me, sou ainda iniciante nessa tal arte da jardinagem! Tem dias em que acordo disposto a plantar sementes... um punhadinho de palavras soltas aqui... outro tiquinho de metáforas ali... semeando flores, frutos, reflexões! Geralmente é quando sou ultrajado, invejado ou incompreendido. Não fico triste, pois bem sei o quão é difícil matar nossas "sedes de saber", no ritmo lento do “gota em gota”. Em outros dias, me dedico a podar preconceitos, medos, pudores, a fim de que as árvores mais antigas se permitam respirar! É um trabalho tão cansativo... mas geralmente bastante recompensador. Sim, é lindo ver a natureza sangrando, surtando, sentindo... mas ao mesmo tempo tão imponente em seu incrível dom de se renovar. Agora vou te contar um segredo! O que eu gosto mesmo é de revolver a terra, cavar profundo, vasculhar o útero do desconhecido. Tocar, cheirar e saborear... os sonhos, soluços, cruas raízes e sensações! É quando encontro o “ser humano”, esse tipo de barro raro! Barro duro, doce e doído, que me encanta a cada dia, no seu jeito tão especial de se moldar e remodelar.


* Imagem: http://www.deviantart.com/art/Riko-Stotz-O-jardineiro-The-gardener-334686748

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