Não apresse o rio, ele corre sozinho

*

Por Leilane Paixão


Que é esta ansiedade?

Como é ser um ser ansioso que se antecede ao seu próprio tempo, que se sente esmagado por seus próprios desejos e anseios?

Como posso ter mais paciência comigo, com minha própria vida?

Quando irei aprender que o mundo não gira em função de mim, por mais que eu o queira?

Como posso criticar a ideia de controle e ser tão controladora de mim e dos outros?

Que é essa dificuldade de acalmar meu espírito e compreender que o ser das coisas não me pertence?

Que medo tão grande é esse de entrar no rio, deitar na água, abrir braços e pernas e boiar... Só boiar.

Sentindo vagarosamente, ou não, o rio me conduzir, em seus meandros, suas curvas, deslizes, declives, correntezas, fortes, fracas, contrárias, opostas, cruzadas, perpassadas...

Quentes, frias.

Geladas, doces, salgadas.

Só boiar, sentir...

Que controle eu posso ter da vida? Que autonomia eu posso ter? Não há determinação em coisa alguma, não há certeza em coisa alguma... Não há estado de “não vulnerabilidade”... Somos todos vulneráveis perante a vida e perante a morte.

E como viver sem entregar-se? Sem boiar nesse rio que não se sabe onde vai dar? Sem as incertezas de onde ele irá desembocar?

Não se atravessa um rio nadando contra sua correnteza. Nem se empurra a água pra ele andar mais rápido.
E atravessando de barco, ferry, catamarã, podemos até chegar mais rápido, mas não sentimos o gosto da água, seu cheiro, sua textura, a profundidade do rio...



E, afinal... chegar mais rápido onde, hein?


* Imagem: http://www.deviantart.com/art/Stones-in-graphite-620578237

Comentários