Companhia incoveniente

*
Por Jonathan Mendes Caris

No novo endereço, Avenida Visconde de Guarapuava, no centro da cidade, eu fui me acomodar. Estava todo metido porque havia saído da periferia para morar no centro.

Apartamento novo, bonito, bem localizado, eu enchia a boca para dizer o novo endereço aos amigos ou para passar ao entregador de pizza.

O que ninguém soube é o que me ocorreu nesse apartamento. Um belo dia enquanto mexia numa das gavetas do armário, vi fugir um pequeno inseto. Não fiz esforço para matá-lo, é normal termos a companhia de alguns pequenos insetos em casa, como mosca, formiga, baratinha, borboleta, e sendo assim, poupei do meu chinelo esse novo amigo que estava dividindo àquela cozinha comigo.

Dias depois vi o resultado daquela minha nobre ação quando abri o armário. Fui tomado pelo susto ao ver um número incontável daquele mesmo inseto. Nessa altura do campeonato, eles já haviam conquistado um sexto do meu apartamento, tudo nas escondidas. Diante desse cenário, dessa iminente invasão, vi como minha atitude mal planejada me trouxe malefícios. Havia poupado uma baratinha pela sensibilidade da sua inofensibilidade e agora multiplicada em cem vezes mais, haviam tomado minha cozinha, minha comida e estavam avançando para outros cômodos.

Não havia outra solução a não ser dedetizar a casa. E assim foi. Dedetizei durante a noite e, no outro dia de manhã eu estava no hospital. E as baratas? As danadas estavam lá, como se nada tivesse acontecido. O apartamento já não era mais especial para mim como antes, havia se tornado a versão real do filme "Joe e as baratas". Eu que achava que iria ter várias aventuras entre as mulheres num apartamento só meu, fui impedido por aqueles insetos macabros. Enfim, surpreendi a todos quando anunciei minha mudança para um apartamento na rua de trás. Sem dar nenhuma explicação, dizia apenas que resolvi me mudar. Elas haviam conquistado aquele território.

Já no outro apartamento, quando terminei toda a mudança, abri uma das malas para pegar algo, surpreendentemente uma pequena barata pulou para fora meio desnorteada, havia se mudado comigo. Não pensei duas vezes, sentei o chinelo nela gritando: 

- Aqui não, aqui não, seu bicho do demônio!!!


* Imagem retirada do Google.

Comentários

Yvana disse…
Eu tenho panico desse inseto horripilante, acho que tenho coragem de enfrentar uma manada do que enfrenta-la na minha casa. Vedo tudo, faço inspeção diária, mais aqui em casa ela não mora.kkkkk
Anônimo disse…
Filme de terror! Esse texto é muito gráfico, muito bom mesmo....
Luísa